We're all unplugged

sábado, março 19, 2005

Mau, muito mau

Dois pedaços de tarde muito maus:
  1. Sexta feira, aula de laboratório, o professor é simpático, mas fala devagar, ouve-se a àgua a escorrer pelos canos, ouço as betas trás de mim "a camisola do Chico é muito fash", as cadeiras são podres. A aula acaba, comboio. Está calor na rua, nuvens. No comboio está ainda mais calor, demasiado calor. Uma preta doente perto de mim telefona para casa para a irem buscar à estação.Contorce-se com febre. Um preto fica ao pé da porta, temo que me roube. Saca de notas do bolsa e começa a contá-las, agitando a pulseira de ouro. Mais tarde entra outro preto, casaco longo e calças de flanela muito largas. Depois de estar um bocado de pé vem-se sentar mesmo ao meu lado. Tem o cabelo puxado para trás, untado com gel, borbulhas na cara. Quando olho vejo que está com o casaco por cima das pernas e as mãos por baixo do casaco. Ponho a hipótese de ele estar a bater uma. Terrível, terrível, terrível.
  2. Lisboa, hoje à tarde, fui arrastado para a Feira Social. Calor, nuvens. Pela Praça da Figueira e pela Rua Augusta, o cenário é muito triste. Todos os prédios da Praça da Figueira têm as àguas furtadas em semi-ruina, as paredes estão enegrecidas, há merda de pombo pelo chão. Só gosto de ver os skaters e a Bana. Rua da Betesga, Rua Augusta: aqueles gajos que fazem inquéritos, pedintes, tarados, turistas, meio-ricos, pobres, sujos e lavadinhos. Tudo! A Rua Augusta estava cheia, turistas a comer naquelas tristes esplanadas(coitados), empregados na galhofa a dizer alarvidades, uns parvalhões de bicicleta no meio da multidão(estúpidos), o homem-estátua autentico, com o palhaço que faz de homem-estátua vestido de palhaço está atrás dele a lucrar uns cobres a vender balões(nem sequer tem a caa pintada!), o ciganito do cãozinho e do acordeão, toca mas é completamente abafado pelo ruido de um berbequim numa varanda. O Elevador de Santa Justa tem com plano de fundo um prédio arrruinado. Toca uma tuna, vendem-se quadros, as ruas estão muito cheias, não gosto. Feira Social, só me interessa as rampas. Os gajos do bmx dão-lhe forte, nunca tinha visto ninguém sacar tailwhips com tanta pinta(nunca tinha,aliás, visto ninguém fazer um tailwhip). Acabou, Rua Augusta de novo. Quando as mulheres bonitas passam, uns perdidos quaisquer lançam piropos ordinários, dois miudos com a cara pintada de homem-aranha ameaçam todos com espadas de balão. Outra espada de balão ameaça o homem-estátua, muito frágil om os seus olhos colados nas palpebras. Pedintes romenos, gajos dos inquéritos, traficantes(?), prostitutas(?), senhores e senhoras, italianos, espanhóis, alemães, suecos, japoneses, drogados, pobres, tristes, contentes, doentes, junte-se a tudo isto um cheiro pestilento e tem a Baixa de Lisboa Sábado às 17h.

2 Comments:

  • At 2:40 p.m., Anonymous Anónimo said…

    Olá! Gostei da tua 2ª descrição, conheço bem o cenário! Faz-me lembrar uns textos que li para APD (axo eu) que eram de um homem que descrevia tudo o que via! Tá engraçado! Sp é melhor que os decotes... :P

     
  • At 12:40 p.m., Blogger João Véstia said…

    oh censurazita, mas que mal é que há em falar de decotes. Reconheço que é um bocado conversa de macho que coça os tomates, mas aquilo é um assunto que me toca (infelizmente não literalmente). Abraço.

     

Enviar um comentário

<< Home